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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

A Guerra das Redes Sociais


A história começa com um jovem nerd tomando um fora da namorada. Gira em torno do projeto de um site, o Facebook, na ficção totalmente criado para atrair a atenção da tal jovem. O negócio, contudo, hoje tem, na realidade, mais de 500 milhões de usuários no mundo inteiro e vale US$ 50 bilhões. Se o crescimento continuar no mesmo ritmo, no segundo semestre de 2011, o Facebook vai, finalmente, bater o Orkut no Brasil, o maior país da América Latina – e um dos poucos onde a rede social ainda não é fenômeno de audiência. Enquanto isso, estreia amanhã a produção hollywoodiana que conta essa história, A rede social, dirigida por David Fincher.

"O filme certamente vai aumentar a curiosidade das pessoas quanto ao site. E a tendência é que grandes players dominem esses mercados, que haja apenas uma rede de cada tipo. Para adicionar amigos, ver as fotos deles, comentar status, o negócio é o Facebook. O Orkut ainda domina por aqui, por ter chegado primeiro, mas, para que o Facebook o ultrapasse, é só questão de tempo: do ano que vem não passa", acredita o pesquisador Gustavo Rauber, que conduz um estudo na UFMG sobre a privacidade na rede social.

O Brasil não chega a aparecer na história como uma pedra no caminho do avanço mundial do império Facebook. Mas um personagem brasileiro tem papel central na história do livro Bilionários por acaso, de Ben Mezrich, que inspirou o roteiro do filme. O relato dos bastidores da criação do site teve como principal fonte Eduardo Saverin, colega de Mark Zuckerberg, o nerd que tomou o fora da namorada e hoje é o mais jovem  bilionário do mundo.

Eduardo foi o investidor inicial do projeto (colocou os primeiros US$ 1 mil para o aluguel dos servidores, seguidos de US$ 18 mil, quando o site ainda era restrito a algumas universidades americanas). No acordo inicial, testemunhado apenas pelos muros de tijolos de Harvard, tinha 30% da companhia e acabou vendo suas ações diluídas e ficando com 0,03%. Processou o Facebook, ganhou e hoje posta, em sua própria página pessoal na rede, mensagens simpáticas a Mark, como fotos de festinhas da universidade em que os dois aparecem juntos. 

O nome de Saverin está de volta aos créditos da página, como cofundador do negócio que chegou, anteontem, ao terceiro lugar em valor de mercado, entre empresas de internet. Ultrapassou o e-Bay (US$ 39,3 bilhões) e está abaixo, apenas, da Amazon (US$ 74,4 bilhões) e do Google (US$ 192,2 bilhões), de acordo com a Bloomberg.

Números com crescimento impressionante fazem parte da vocação do Facebook, desde a origem, em 2004. Criado nos alojamentos de Harvard, o site surgiu restrito àquela universidade e, em dois dias, já contava com a adesão de todos os alunos. A expansão para outras universidades americanas garantia o modelo de rede social a que esses universitários estão acostumados: baseado em clubes finais, a que os estudantes eram convidados – ou excluídos. Assim como eles, o Facebook teria de ser "exclusivo, divertido e tornar sua vida melhor", nas palavras do Mark do livro e do filme.

A ideia era reproduzir, on-line, essa vida social universitária. Por isso, os botões de "curtir" e "cutucar" sempre estiveram lá. Com o tempo, agregou outros valores, como a facilidade com que se descobriria se a figura está solteira e em que está interessada. 

Mark podia ser um gênio da computação e tal e coisa. Mas originalidade não era exatamente seu forte. Tanto que também foi processado por Tyler e Cameron Winklevoss, remadores populares em Harvard que convidaram Mark para ser programador de um projeto muito parecido, e iniciado antes do Facebook, chamado ConectU. O processo deles contra o jovem de cabelos enrolados terminou em acordo de US$ 65 milhões.

Para apimentar a trama com sexo, drogas e popularidade, entra na história Sean Parker, empresário conhecido por integrar a equipe inicial do Napster, o site de compartilhamento de músicas que revolucionou a distribuição de músicas e arranjou briga com gravadoras poderosas. O papel cai como uma luva no popstar Justin Timberlake. Sean capta investidores, leva a companhia para o Vale do Silício e, na visão do livro e do filme, tira o brasileiro Saverin da jogada. Dele, surgem ideias oportunas, como a criação dos álbuns de fotos, em pleno hype das câmeras digitais.

A intrigante trama cinematográfica, com diálogos ágeis e personagens interessantes, diferentemente do livro, focado em Eduardo, coloca Mark no centro dos acontecimentos. O Mark da vida real, no entanto, já deu entrevistas categorizando o filme de ficção: "A verdadeira história do Facebook é bem chata. Quer dizer, sentamos diante dos nossos computadore por seis anos e trabalhamos com códigos". O ex-melhor amigo Saverin também publicou declarações em uníssono: "A intenção do filme era ser entretenimento e não um documentário, baseado em fatos".

No Brasil, o avanço do Facebook encontra ainda resistência. O Orkut, rede social do Google, tem mais de 36 milhões de visitantes únicos. O Facebook tem 9 milhões. Mas, há um ano, tinha apenas 1,5 milhão. Depois que ultrapassou os muros de Harvard, parece não haver fronteiras para o avanço da companhia. Há rumores de que o
Google lance uma rede social de alcance global para competir (o Orkut faz sucesso só no Brasil e na Índia), mas nada de concreto ainda foi divulgado.

Fato é que hoje, no Facebook, os perfis de Zuckerberg e de Saverin não adicionam mais amigos. Viraram páginas oficiais. O máximo de interação permitida é o botão "curtir". Famoso "ame-o ou deixe-o". O perfil da  suposta namorada que deu início à busca de Zuckerberg por uma ideia que o transformasse em um jovem notável pode ser encontrado na rede. Erica Albright, contudo, tem tudo para ser um fake. A começar por sua  descrição: "Sou eu, a ex-namorada de Mark Zuckerberg". A moça, depois de tudo, certamente preferiria o Orkut.